Bem, futebol e música sempre andaram de pernas e braços dados. Dos gritos da torcida, aos apitos dos árbitros, até a dancinha depois dos gols. Coreografia. Pura. Mas depois do evento do headphone a coisa mudou. Não fui o primeiro maluco a ouvir a narração pelo rádio enquanto deixava a TV no mute. Ou ouvir a K7 no Walkman durante os 90 minutos de embates com a bola, o secador do prédio ao lado e certeza da redenção no último minuto. Coisa de gente doente do pé. Já escolheu a sua música para o mundial? Eu já. Já escalou as suas bandas? Eu já fiz um selecionado básico. O Ferla, que comigo, entre um sms e outro, coisa de 200 por partida, sabe o que eu quero dizer. Tivemos uma fase boa com o Jason Pierce recentemente no Olímpico. Virando placares impossíveis. Tirando os 1200 km que nos uniam, tínhamos aquela canção do Spiritualized para nos conectar com os jogos. E o Wander fazendo 50 mil pessoas beber vinho com alma castelhana. Coisa de gente louca. Escalei o professor James Murphy mais uma vez. Agora, no aquecimento dos jogos, ele entoa sem nenhuma timidez Drunk Girls. Coisa de fazer o Dunga pensar em convidar o Maradona para um tango e decretar: Compañero, por Una Cabeza, Palermo e Piazzola, no me olvides. Mas eu penso no LCD, não na tela de 42”, que é de certa forma a versão atualizada da Telefunken 14”, Copa da Alemanha, coisa fina, que fez a boa Admiral do meu avô Abelino parecer coisa velha. P&B. Vestida de Alemanha, num suposto presságio para o título de 74. Bem, coisa do século passado. Coisa de gente maluca. Mas a música de trabalho é I Can Change. Antes de entrar em campo, seja lá onde ele seja, volume no máximo, tecla do repeat e o Sr. Murphy e sua lei de fazer canções belas decreta: no vuvuzela, please. O Brooklyn gosta de soccer. Eu gosto de futebol e música. E no ritmo atual, dessa nossa seleção, um Vampire Weekend, Contra, não chega de ser todo ruim. This is happening, diria o Ronaldinho Gaúcho, na terceira garrafa de Barolo, pagode baixo, partido alto e a sensação de ter já dançado o bastante. O resto é silêncio. No hay banda. Pero, hay música. Ah, se tem.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
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